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quarta-feira, outubro 01, 2003

Post-it 

Da ponta do dedo, para a tecla directamente para o blog, só porque estou furiosa!
No último post, estava a uns dias de ir para Castelo Branco apresentar o meu trabalho. Se estávamos a pensar conservar seja o que for, neste momento temos que pensar em recuperar. O que restava de alguns, poucos e fragmentados habitats naturais e seminaturais, são agora uma recordação em negativo de fotografias belíssimas a cores. As poucas áreas verdes que subsistem naquela zona, apresentam fraca capacidade de acolha para a diminuta fauna que escapou à imolação pelo fogo e só lhes resta morrer de fome, atropeladas nas estradas pelos caminhos de Portugal ou sofrer de doenças infecto-contagiosas e parasitoses que exterminam toda uma população ou comunidade, uma vez que muitos dos agentes patogénicos que ocorrem na natureza podem ter vários tipos de hospedeiros, leia-se várias espécies hospedeiras.
A fragmentação do habitat, a falta de contínuo ecológico, encarrega-se do resto.
Para os grandes carnívoros (aqueles cuja presença apenas já se supõe), como o lince, o gato-bravo, o lobo, nem Espanha os safa. Quem se der ao trabalho de consultar o site da NASA, onde podem ser observadas as melhores fotografias de satélite, verifica a enorme clareira no coração da Península Ibérica. A Noroeste, a Sul e a Este do Parque Natural do Tejo Internacional, ardeu uma área de habitat mediterrânico enorme.
Toda a gente está familiarizada com a barulheira que fazem as cigarras, principalmente nos dias de maior calor; parei o carro para abastecer de gasolina...silêncio total! Nada! Tudo estéril, tudo morto. As árvores carbonizadas nem se mexiam, o vento uivava em volta dos troncos rígidos e negros. Quem é que vai pagar por isto? Quem vai indemnizar a Natureza?

terça-feira, setembro 16, 2003

Portugal 

Caros bloggers,

Aqui estou eu, a mostrar o verbo amargo, ou não fossem estes tempos negros para o nosso Portugal.

Sem sentimentalismos bacocos nem nacionalismo imbecil, aprendi na escola primária que a nossa bandeira, verde e vermelha, simboliza respectivamente o verde do nosso campo e o sangue derramado pelos nossos antepassados pela integridade da nossa pátria.
As quinas, cresci a estremecer de emoção quando olho para elas e para mim, a bandeira não é um farrapo ao vento e o hino nacional é natural para mim como o bater do meu coração. Nasci e cresci no Norte, aprendi a honrar e a respeitar aquilo que tenho, não a desdenhar e a cobiçar o país alheio. Fiz-me mulher e acredito que Portugal vai viver melhores dias e ainda sinto um nó na garganta quando leio um livro de história do nosso país.

São 1:36 e estou a terminar um trabalho para apresentar na quarta-feira no Parque Natural do Tejo Internacional. Não sei como é que vou aguentar a viagem até lá, está tudo queimado, não se vê uma ave no céu nem o verde misterioso que cobre a pedra quente do sol com cheiro a terra e que esconde a lagartixa preguiçosa dos meus olhos curiosos de quem se espanta com a vida a cada hora que passa nas horas amarelas do pico do calor.

No princípio do próximo ano, terá de ser implementado o Plano Sectorial da Rede Natura 2000, doa a quem doer e vai doer a muita gente! Para quem não sabe o que é, resumidamente, é uma rede comunitária de áreas “protegidas” e que, no nosso Portugal que era uma delícia, apesar da praga dos madeireiros, abrangem cerca de 22% do território. Estas cruzam áreas de ocorrência de habitats naturais, e de distrbuição de espécies de flora e de fauna ameaçadas, muitas delas únicas do nosso país, que podem beneficiar de alguma protecção ao abrigo de directivas decretadas pela União Europeia com a finalidade de proteger os valores naturais.

Por ironia ou talvez não, meus amigos, se sobreposerem a área ardida à área da Rede Natura 2000, o que é que acontece? Um rebuçado para quem antecipar a próxima frase...muito bem!!!...coincidem!!!

Mais uma coisa! O que é Monchique? O paraíso dos empreendimentos turísticos e toca a fazer tudo antes da Natura 2000 mandar cá para fora directrizes, não é? Depois, por causa da mosca de asa branca e da flor cor de burro quando foge, Maria, já num podemos construir o nosso hotel modesto, de cinco estrelas, campo de golfe e cavalinhos a pisar tudo o que é erva! Raios parta a bicharada, mais aqueles de pescoço comprido e barrete vermelho, os grossos, ou grousos, ou lá o que é! Já num posso passear a minha partener do bar de alterne no Mercedes de empreiteiro, nem pagar-lhe Dom Pernigão, ou lá o que o Herman gosta de bober!

Também há gente fina a afagar as mãos: rica, já viu? Agora podemos plantar aquelas espécies de árvores fantásticas que crescem num instante! Aquelas, americanas, tinham de vir do país dos hamburguers, não acha?

Para quem também não sabe ou para quem achar que valores como a compaixão, o respeito pela vida que se faz, a importância para a nossa sobrevivência da manutenção da biodiversidade, etc., AS ARVOREZINHAS FAZEM FALTA COMO O RAIO VOS PARTA, Ó POLÍTICOS DA TRISTE FIGURETA, MAIS A PORCARIA DA REFORMA FISCAL E DA FUNÇÃO PÚBLICA E DO RAIO QUE O PARTA, MAIS O APOIO AO ALCOÓLICO INCOMPETENTE DO BUSH, MAIS OS APERTOS DE MÃO SOLIDÁRIOS , MAIS OS SUBMARINOS DA BATALHA NAVAL QUE TRAVAM DENTRO DAS CABECINHAS MODERNAS, ENQUANTO QUE 80% DA TAPADA REAL DE MAFRA ARDE, MONCHIQUE É UM DESERTO, MONTEJUNTO ESTÁ EM CHAMAS, A SERRA DA ESTRELA IDEM, GARDUNHA, VALONGO, COSTA SUDOESTE, BLÁ, BLÁ , BLÁ!!!

350 MIL HECTARES É UM NÚMERO RIDÍCULO, QUANDO COMPARADO ÀS DEZENAS DE QUILÓMETROS QUE OS OLHOS TÊM INEVITAVELMENTE QUE PERCORRER ENQUANTO O MEU CARRO ROLA PELA AUTOESTRADA ATÉ CASTELO BRANCO!

Como eleitora, considero INADMISSÍVEL a forma como todos se estão a demitir desta questão, desde o senhor Primeiro até ao Ministro do Ambiente. Perderam todos a língua! Estamos órfãos, um reino sem rei, um rei sem trono!

Tão bonito que é, o país a arder e os meninos a aprender, a aprender que as galinhas são umas coisas com coxas que a mãe faz muito bem na púcara e que os bifes são de umas vacas que bem podiam ser loucas, se não estivessem cheias de antibióticos; e os peixes, mãe? Se puser um debaixo do braço, dá para ver se tenho febre para não ter que ir à escola? Mas tu dizes que eles têm mercúrio!!!



quinta-feira, setembro 04, 2003

Já reparou que... 

Há muitos, muitos anos, era o Homem feliz e desnudado, quando se pôr a pensar.
Mas pensou tanto que pensou demais, pensou nas causas e nas consequências, pensou no que pensava, pensou e pensou, pensou no que os outros pensavam que ele pensava, até que pensou e descobriu o pudor. A vergonha do que os outros poderiam pensar dele. Daí, pensou concomitantemente que uma primeira impressão só se tem uma vez e que uma imagem vale mil palavras (apesar deste último pensamento só ter sido escrito bastante anos mais tarde, por um oriental de nome Confúcio) e inferiu que o melhor era passar a andar vestido.
O Homem deixou então de andar tão desnudado e consequentemente tão feliz (e livre).
Anos mais tarde, porque a troca directa não era mais eficiente, pensou, pensou e inventou o dinheiro. A partir de então, o Homem passou a viajar sempre com a carteira no bolso, o que lhe possibilitava pagar a viagem, a estadia, a refeição, a muda de roupa e ainda, se lhe restasse alguns trocos, trazer algum para casa. Poderia posteriormente aplicar estas mais-valias sabiamente em títulos, benfeitorias ou simplesmente guardá-lo debaixo do colchão.
Tanto dinheiro guardado nas mãos de um só Homem é um íman para a cobiça. Os ladrões começaram a portar-se como abutres à volta da sua casa, mais precisamente à volta do seu colchão. Ora uma casa assim, precisa de uma boa fechadura, onde apenas uma chave possa entrar: a que é carregada para todo o lado pelo seu dono.
Agora, para além de menos feliz e menos desnudado, o Homem tornava-se mais inseguro, receoso não dos restantes predadores da Natureza, mas dos membros da própria espécie.
A última evolução tecnológica que apresento nesta breve resenha histórica é o telemóvel. Essa maravilha do progresso. Se ninguém quer falar com uma casa, mas sim com uma pessoa, é óbvio que o telemóvel rapidamente substituiu o telefone fixo. O Homem pode estar contactável em todo o local em que se encontre. Passámos a fazer-nos ouvir onde quer que estejamos e independentemente de onde a outra pessoa esteja.

Certamente ainda não desvendaram a razão de ser deste texto, o que é natural, não se preocupem: pois, de facto, existe uma razão (!) e por outro lado, se o Homem, ao longo de 10.000 anos de existência ainda não se deu conta, muito dificilmente o leitor o faria com a leitura em diagonal (certamente porque deve estar a trabalhar) desta breve resenha histórica da nossa evolução conjunta até aos dias de hoje.

Mas repare bem o leitor:

1) No início, o Homem estava desnudado e feliz.

2) Hoje em dia, não há sítio fora de casa (toka) para onde o leitor (toupeira) se desloque, sem que confirme primeiro se leva:
a) A roupa
b) A carteira
c) As chaves
d) O telemóvel

Experimente sair da toka sem eles, vai ver que não se aguenta muito tempo cá fora, na selva...

PS 1: Não se esqueça, para além da farpela, tem de andar sempre com três-coisas-três. Repita comigo: Três coisas! Três coisas! Três coisas! Vai ver que assim não passa por distraído...

quarta-feira, julho 30, 2003

Sobre a Consciência e a Prisão da Carne 

Clara Pinto Correia escreveu um dia (não sei se plagiou) a seguinte alegoria:
As doenças do foro psicológico nasceram um dia, na era pré-histórica, quando dois homens das cavernas se encontraram, carregando um deles uma presa capturada e o outro uma moca abre-tolas. Este quando se preparava para dar uso ao seu instrumento para roubar a refeição do outro, foi interrompido pela indadação do primeiro: "Porque me vais matar? Podemos dividir esta refeição e caçarmos juntos! Sentes-te bem com essa brutalidade?... (e outros argumentos do género...)". A partir desse momento, o Homem ganhou consciência, pelo próximo e pela sua condição. A sua mente evoluiu incomparavelmente em relação às restantes espécies. Todavia, o corpo que a sustenta mantém-se igual, ou praticamente igual (note que o polegar já se tinha desenvolvido, senão seria impossível segurar e utilizar correctamente a moca abre-tolas). Esse desfasamento evolutivo corpo-mente é a principal razão que levou hodiernamente ao bem-estar social e económico de alguns membros da espécie humana que são denominados entre os seus por psicólogos ou psiquiatras (entre os quais se inclui Clara Pinto Correia). Adeus, Princesa...

O Homem que inventou que os marcianos são iguais a nós, só que verdes! 

Vergílio Ferreira no livro "A Aparição", partilha connosco o momento em que olhando a sua imagem reflectida num espelho de um quarto qualquer, o Homem passa a observador da sua própria existência. É quando ele toma essa consciência que se apercebe da efemeridade da carne e da noção de prisão em si...também ela um abismo. Quando a garganta se transforma em terra de ninguém e não reconhecemos a voz que sai da nossa boca, quando nos beliscamos e lá longe, muito distante, sentimos uma impressão de aconchego por cima de cobertores, é o princípio do fim da união de facto inconscientemente feliz com o nosso corpo. Daí para a frente, atenção, eu carrego esta matéria que me permite interferir convosco; o que eu sou, não sei, mas o que eu posso ser, é da minha total responsabilidade...o abismo que eu criar, o meu corpo reflecte...e as folhas estaladiças douradas do Outono que crepitam debaixo dos meus pés, e as cerejeiras em fogo com o Sol de Outubro, o cheiro das maçãs vermelhas, envolvem-me de um frio estranho como de já só fossem fotografias e memórias projectadas pela minha vontade.
Eu, Homo sapiens sapiens, sou finito, tal como o Universo, também ele finito, feitos da mesma matéria: pó de estrelas. A mesma ignorância primordial com que o Universo foi "abençoado" perpetua-se em mim, nesta constante perca e tomada de consciência que, geração após geração se revela em cada aparição de vida. Estou desta forma solidária com o cosmos.
O desenvolvimento mental/ emocional do Homem tende para o +oo e a evolução e a compreeensão/ percepção do Universo será sempre mais uma questão de atitude que exclusivamente de conhecimento acumulado. Em ciência, mais importante que dar a resposta, é conseguir colocar a questão certa e elaborar a hipótese mais acurada.
Haverá sempre pontes entre os diferentes ramos de ciência; aliás, como a própria palavra sugere, ser inteligente é ter a capacidade de interligar informação captada muitas vezes de várias origens e isto sugere sempre novas perguntas.
A par e passo, nossa vontade ávida de compreender o Universo será "temperada" pela nossa evolução intelectual. No final, resta a pergunta: de que forma, sob que perspectiva vamos querer compreender o Universo daqui a umas centenas de anos?

domingo, julho 27, 2003

A insustentável crença do Ser 

O Universo nunca será compreendido pelo Homem. Por mais que desenvolva novas formas de representar a realidade, com esta Matemática ou outra, por mais que a performance dos processadores duplique, por mais que a ciência se especialize: o Universo nunca será compreendido pelo Homem!
Este Teorema pode ser demonstrado cientificamente, fazendo uso da lógica: temos evoluído há vários anos para um grau de especialização da ciência tal que se torna impossível, novamente, a um único homem compreender o state of the art de todas os ramos da Ciência, à semelhança, por exemplo, de Leonardo da Vinci. O último homem que abarcou todo esse conhecimento científico da época em que vivia foi Descartes. Desde esses tempos, apareceram geniais cientistas e pensadores que dominaram todo o conhecimento de um determinado ramo da ciência, numa primeira fase, depois apenas em relação a determinado sub-ramo, evoluindo ate níveis de especialização tal que actualmente existem zonas da matemática abstracta que apenas duas ou tres pessoas (literalmente) no mundo conseguem se fazer compreender e entender sobre o que estudam, fazem e/ou investigam.
Mas chegará um momento, em que, tal como se tornou impossível ao homem pós-Descartes, no seu tempo limitado de vida, dominar o conhecimento de todos os ramos científicos, tornar-se-á impossível melhorar o conhecimento de determinado/a sub-ramo/especialização da ciência simplesmente porque, o seu tempo limitado de vida, apenas será suficiente para compreender o state of the art dessa especialização, impossibilitando-lhe a criatividade/investigação subsequente. Quando isso acontecer, não valera a pena investir mais nessa especialização (sub-sub-sub-ramo), pelo que o conhecimento aí não evoluirá mais. E inevitavelmente esse limite chegará a todos os sub-domínios da ciência, sendo certo que a compreensão do Universo dependera da compreensão de grande parte deles. Por estas razões, o Universo nunca será compreendido pelo Homem.
A única alternativa viável será criar uma máquina que consiga criar, descobrir, inovar, investigar. Mas nessa altura para que serviremos?
Fica no entanto a questão:
O Universo (nunca?) será compreendido pela Máquina?

sexta-feira, julho 25, 2003

Actualidades anti-toupeira (III) 

A noticia mais suja de hoje foi o presente oferecido pela Quercus ao ministro da agricultura. Um baú com 60 litros de dejectos de porco(!!)(visualizem só a cara do pobre ministro perante tal oferenda!), isto a propósito do acordo 'obscuro' que o governo fez com os suinicultores do rio lis.
Os baús(eram dois afinal) foram baptizados de: "Arca dos Milagres" devido á Ribeira dos Milagres onde foram feitas descargas de 'efluentes' (nome técnico para merda) de porco e "Arca da Vieira" pela Praia da Vieira interditada a banhos na sequência de um acidente similar.
Aguarda-se ansiosamente a reacção da igreja pedofilo-catolica perante tamanha heresia de comparar a "arca da aliança" com um baú de merda de porco.

Após estas diatribes sobre o ridículo desta situação surge um detalhe nesta noticia que é simplesmente delicioso ora leiam: 'Na bacia do rio Lis existem 200 mil habitantes e 350 mil porcos, que produzem quase quatro vezes mais efluentes (de carga orgânica) do que os seres humanos.'
Cafoda-se!! imaginem vocês que: Primeiro ,há mais porcos que homens na bacia do Rio Lis!! a considerar aqui o investimento nesta zona, por exemplo ,numa estancia de ferias termal, publicitando os famosos banhos de lama nos dejectos suínos possuidores de propriedades regenerativas.
Segundo, com um pouco de matemática mais ou menos avançada, verifica-se que: quase o dobro dos porcos fazem 4 vezes a merda de metade dos homens(!?) , Chega-se então ,através de um raciocínio ao alcance de muito poucos, á conclusão de que um porco faz o dobro da merda de um homem...muito pouco, convenha-se, para a designação que estes animais ostentam.
Lembra toda esta situação um livro bastante conhecido passado numa quinta onde os porcos lideram uma revolta animal contra os fazendeiros, isto numa clara alusão ao totalitarismo comunista. George Orwel no seu 'triunfo dos porcos' desbobina uma novela genial, engraçada e extremamente irónica onde os porcos são tidos como o animal de quinta mais inteligente sendo a quinta o estado soviético da altura, a revolta torna-se 'naturalmente' numa ditadura dos suínos que passam a comandar pela força os restantes animais...apetece pois dizer: cuidado senhores suinicultores de Leiria, com tantos porcos se eles se revoltam a 'merda' que isto não vai dar.


Efluente:
do Lat. effluente
adj. 2 gén.,
que eflui;
que emana de certos corpos;
s. m., Ecol.,
qualquer produto líquido, sólido ou gasoso, tratado ou não, produzido pela actividade industrial ou resultante dos resíduos urbanos, que é lançado para o meio ambiente.

quinta-feira, julho 24, 2003

Blogosfera genial... 

Numa conversa com o senhor C.: "O meu avô morreu uma semana depois de minha mãe. Abismou com a morte dela".
"Abismou", caiu num abismo, caiu num abismo com ela, por causa dela. "Abismo" é uma daquelas palavras em que não se repara, até um dia. É uma palavra com medo dentro.

In Abrupto.

Um advogado proeminente no PSD-Madeira chama-se Coito Pita. Assim mesmo: Coito Pita. Será que Rui Teixeira sabe disso?
In Dicionario do diabo

Queria ter-me fotografado todos os dias da minha vida. só assim tinha a certeza que vivi cada um deles.
In monologo

AFODISMOS
Enceto aqui uma nova rubrica de ditos filosóficos. Assim como Edson Athaíde tem o seu Tio Olavo, também eu tenho um familiar com talento aforístico. Trata-se do meu Tio Encavo. Aqui vai o primeiro pensamento:
"Foda numa puta vale por duas: o pinanço em si e a enrabadela nas finanças, pois a puta não passa recibo."

In o meu pipi

quarta-feira, julho 23, 2003

Actualidades anti-toupeira (II) 

Outra notícia bastante interessante posta a circular hoje: Foi efectuado com sucesso o primeiro transplante de língua num homem (as pernas que isto tem para andar!).
Executado em Viena num senhor de 42 anos que tinha um tumor no dito órgão que o impedia até de abrir a boca.
Acerca disto e pondo de parte os previsíveis problemas de hálito do referido senhor, poderemos tentar imaginar a língua de outra pessoa constantemente metida na nossa boca, está bem que há línguas saborosas mas tudo tem um limite...a vida deste senhor passa agora a ser um linguado interminável com um estranho...e de onde veio a língua dadora? ninguém diz...seria de mulher de homem? de animal?
Dizem os médicos que a língua tem uma cor perfeitamente normal (e eu que gostava tanto de ter uma língua verde alface) ,dizem também que a única diferença sentida pelo senhor será a ausência de paladar...coisa pouca, afinal é só um dos cinco sentidos, aqueles que nos dão a noção de tudo o que nos rodeia, é um bocado como transplantar uns olhos e ficar cego!
Ok, a língua tem outras funções como articular palavras por exemplo, a propósito disto manterá o senhor a mesma dicção? imaginem que o dador era sopinha de massa! a desilusão...
Outra consideração interessante acerca deste tema é a do desempenho sexual...a língua ,é senso comum, tem uma forte componente no sucesso do mesmo e tendo o senhor 42 anos isto agrava-se... aqui põe-se novamente a questão do dador, se era feminino a esposa deste senhor deve andar nas nuvens pois como é sabido as mulheres são bem mais competentes neste tipo de assuntos, segundo dizem só uma mulher conhece verdadeiramente o corpo de outra , isto sem menosprezar os machus-linguis-artisticus que por aí andam.
Penso por fim na (des)vantagem da ausência de sabor neste item, sendo que se é certo que há paladares agradáveis também os há menos agradáveis...
Proponho pois que esses senhores médicos nos criem então a língua descartável para termos a língua adequada para cada uma das suas utilizações. Que vos parece?

Dolls 

Infinita tristeza, infinita beleza.
É tudo o que apetece dizer depois deste filme.

"São três histórias de amor imortal, enlaçadas pela beleza da tristeza, inspiradas nas emoções mais puras do Bunraku, o teatro de marionetas japonês..." in Publico

Actualidades anti-toupeira 

A mencionar a notícia mais terna dos últimos tempos, protagonizada por um português. João Alves ,astrofísico de ocupação poeta por vocação, descobriu literalmente uma maternidade de estrelas. São mais de cem estrelas acabadas de nascer num lugar remoto da nossa galáxia a 37 mil anos-luz da terra oportunamente baptizado de Alfredo da Costa da Via Láctea. As estrelas bebé têm menos de um milhão de anos (tão ‘novitas’ e já sozinhas no espaço escuro e frio!) estima-se que viverão cerca de 10 milhões de anos, curtíssima esperança de vida a destas estrelas e sem ironia pois o nosso sol, pasme-se! já tem cerca de 10 mil milhões de anos.
De referir também que são ‘gordinhos’ estes bebés ,cada um chega a ter 15 a 120 vezes a massa do sol.
Segundo os investigadores, transformar-se-ão em estrelas de neutrões ou em buracos negros e terão mortes espectaculares (só mesmo uma estrela para alcançar espectacularidade na morte), serão supernovas que explodirão para o espaço fornecendo os elementos necessários á formação de novos planetas.
Sobre isto apetece pegar nas ‘geniais’ palavras do engenheiro do penta ,Fernandinho Santos ,agora a engendrar o pri para o grande e estrelado sporting que nos diz:
"Estrelas só no céu e mesmo assim são muitas. Nunca está lá uma sozinha."

terça-feira, julho 22, 2003

New mole in the house 


quinta-feira, julho 17, 2003

Comentários à Definição(II): Toupeira 

A toupeira é cega, ou quase cega, por selecção natural (Darwin). As toupeiras que começaram a vislumbrar melhor, tal e qual na Alegoria da Caverna, saíram dos buracos e evoluíram para um patamar superior. Da mesma forma, não é fácil convencer uma toupeira que lá fora há um mundo melhor. Infelizmente, o perigo de voltarem à condição inicial não desapareceu. É difícil fugir às origens. Mas a toupeira não nasce assim, apenas é empurrada culturalmente para viver assim. O regresso às origens é portanto essa liberdade inicial.

A toupeira vive solitária, apesar de partilhar as mesmas auto-estradas subterrâneas com outras toupeiras. Todavia, não tem consciência dessa solidão, o esforço que a construção dessas estradas acarreta não lhe deixa tempo nenhum para pensar nessa condição.

Armadilhas para toupeiras 

Existem armadilhas para toupeiras (ver este site). Estas armadilhas colocam-se sobre as verdadeiras armadilhas das toupeiras. Quer isto dizer que, o que as toupeiras não vêem (e por isso são cegas) é que vivem numa armadilha muito maior: os túneis soturnos e exíguos em que passam todo o seu tempo de vida. A Toupeira subvive (abaixo do limiar de sobreviver) escavando, i.e., a aumentar o tamanho da armadilha (buraco) em que se meteu. Devido ao seu esforço hercúleo apenas sossega para comer, que faz de forma alarve, com o objectivo de restituir a energia que perdeu. É portanto auto-suficiente, porém, isto não me parece suficiente...

Eu vou ser como a Toupeira 

Eu vou ser como a toupeira
Que esburaca
Penitência, diz a hidra
Quando à seca
Eu vou ser como a gibóia
Que atormenta
Não há luz que não se veja
Da charneca

E não me digas agora
Estás à espera
Penitência diz a hidra
Quando à seca
E se te enfias na toca
És como ela


Quero-me à minha vontade
Não na tua
Ó hidra, diz-me a verdade
Nua e crua
Mais vale dar numa sarjeta
Que na mão
De quem nos inveja a vida
E tira o pão

ZECA AFONSO

quarta-feira, julho 16, 2003

Próximos textos 

Para breve uma descrição de armadilhas para toupeiras e ensaios literários sobre a presa...

Definição (II): Toupeira 

in http://www.trallo.com:

Most people have a vague idea regarding the nature of this creature. Even scientists do not know much about the mole. That is so probably because moles spend most of their lives underground. Nevertheless, thanks to the different sources of information that we have consulted and to direct observation of this creature’s activity, we believe we can conclude the following:
- They live underground and hardly ever come out.
- The mole develops its activity both during the day and at night. Oken kept a mole in a box full of sand for three months, and he observed how the mole worked as fast as fish move through the water. According to current research, the mole sleeps and works at four-hour intervals. It is more active early in the morning and at dusk but that does not mean it is not active at other times, even at night, and throughout the whole year. So much activity makes it really hungry. Moles can eat 70% to 100% of their body weight every day, hence their “insatiable appetite” reputation. As a matter of fact, the mole cannot spend too many hours without eating.
- It is a known fact that the mole is a soltary animal. They even fight to death between themselves sometimes. If we go a bit further, we should mention Donal and Lillian Stokes’s research, described in their book Animal Tracking and Behavior (1986). Adult moles are solitary animals that avoid contact with other moles. However, there are at least two exceptions. One of them occurs when the female moles are on heat. Even after they have mated, males and females can stay quite close to each other for several weeks. The second exception is that some tunnels are used every now and then by more than one mole; in this sense, those tunnels could be compared to our roads or motorways.
- Therefore, this animal is adapted to underground life like no other creature.

Definição (I): Toupeira 

in http://www.priberam.pt/DLPO/

do ant. toupa, ou Lat. *talparia < talpa

s. f., Zool.,
mamífero insectívoro que vive debaixo da terra, em galerias;

Ictiol.,
nome vulgar de um peixe acantopterígio;

fam.,
pessoa de olhos pequenos e piscos;

fig.,
pessoa estúpida;
pessoa que conspira e enreda.

Como manter um nível saudável de insanidade: 

1) No teu horário de almoço, senta-te no teu carro estacionado, poe os óculos escuros e aponta um secador de cabelos para os carros que passam. Vê se eles diminuem a velocidade.

2) Insiste que o teu e-mail é xena.princesa.guerreira@nomedaempresa.com.pt ou elvis.o.rei@nomedaempresa.com.pt

3) Sempre que alguém te pedir para fazer alguma coisa, pergunta se quer batatas fritas a acompanhar.

4) Encoraja os teus colegas de sala a fazer uma dança de cadeiras sincronizada contigo.

5) Coloca o tua lata de lixo sobre a mesa e escreve nela "Entrada".

6) Desenvolve um estranho medo de agrafadores.

7) Poe café descafeinado na máquina de café por três semanas. Quando todos tiverem perdido o vício da cafeína, muda para café expresso.

8) No verso de todos os teus cheques escreve "Referente a suborno".

9) Sempre que alguém te disser alguma coisa, responde com "isso é o que tu pensas".

10) Termina todas as tuas frases com "de acordo com a profecia".

11) Ajusta o brilho do teu monitor para o que o nível dele ilumine toda a área de trabalho. Insiste com os outros que gostas assim.

12) Nao uses pontuaçoes.

13) Sempre que possível, pula em vez de andar.

14) Pergunta às pessoas de que sexo sao. Ri histericamente depois delas responderem.

15) Quando estiveres num Mac-drive, especifica que o pedido é para a viagem.

16) Canta na ópera com os actores.

17) Vai a um recital de poesia e pergunta por que é que os poemas nao rimam.

18) Descobre onde o é que o teu chefe faz compras e compra exactamente as mesmas roupas. Usa-as um dia depois do teu chefe as usar. (Isto é especialmente efectivo se o teu chefe for do sexo oposto.)

19) Manda e-mails para o resto da empresa para dizer o que é que estás a fazer. Por exemplo: "Se alguém precisar de mim, estou na casa de banho, 3ª porta à esquerda".

20) Dispoe uma rede de mosquitos ao redor da tua secretária. Poe um CD com sons da floresta durante o dia inteiro.

21) Com cinco dias de antecedência, avisa os teus amigos que nao podes ir à festa deles porque nao está na onda certa.

22) Liga para o Serviço de Emergência e nao digas nada.

23) Faz os teus colegas de trabalho chamar-te pelo teu apelido, ou seja, Duro(a) na Queda.

24) Quando sair dinheiro da caixa automática, grita.

25) Ao sair do Zoo, corre na direcçao do parque de estacionamento, gritando "Salve-se quem puder, eles estao soltos!".

26) Diz ao teu chefe "nao sao as vozes na minha cabeça".

27) A hora do jantar, anuncia aos teus filhos: "Devido à nossa situaçao económica, teremos de mandar um de vocês embora".

28) Todas as vezes que vires uma vassoura, grita "Amor, a tua mae chegou!".

terça-feira, julho 15, 2003

Comentários 

Já podem deixar comentarios sobre os posts no link abaixo dos mesmos.Abusem!!

o tempo segundo a toupeira 

1 pico segundo (um trilionésimo de segundo) - A medida de tempo mais curta que uma 'toupeira' consegue medir actualmente.
1 nano segundo (um bilionésimo de segundo) - 2 a 4 nanosegundos é o tempo que um computador caseiro demora e executar uma instrução de software.
1 micro segundo (um milionésimo de segundo) - tempo que leva uma 'toupeira' a dizer sim.
1 milisegundo (um milésimo de segundo) - uma fotografia tirada a um milésimo de segundo pára todo o movimento toupeirístico.
1 centisegundo (um centésimo de segundo) - o tempo que leva um relâmpago a chegar ao solo.
1 decisegundo (um decimo de segundo) - o piscar de um olho (das 'toupeiras' que ainda os possuem).
1 segundo - um coração de uma 'toupeira' normal bate uma vez a cada segundo.
60 segundos - 1 minuto ; um anuncio comprido.
2 minutos - o tempo médio que uma 'toupeira' consegue estar sem respirar.
5 minutos - o tempo máximo que uma 'toupeira' aguenta parada num semáforo.
60 minutos - uma hora; o tempo máximo que uma 'toupeira' consegue focar a sua atenção sem se distrair.
8 horas - o dia típico de trabalho de uma 'toupeira' feliz, bem como o tempo recomendado para uma boa noite de sono.
24 horas - um dia ; o tempo que leva o planeta terra a rodar sobre o seu eixo.
7 dias - uma semana ; tempo médio do repasto comensal do movimento anti toupeira.
40 dias - o tempo que uma 'toupeira' consegue sobreviver sem comida.
365.24 dias - um ano; o tempo que o planeta terra leva a completar uma órbita completa á volta do sol.
3 anos - a idade do Movimento anti toupeira.
10 anos - uma década . tempo médio que leva uma 'toupeira' a tomar consciência da sua condição.
75 anos - a esperança media de vida de uma 'toupeira'.
5,000 anos - a duração da historia da 'toupeira'. primeiras civilizações conhecidas.
50,000 anos - aparecimento do primeiro homo-toupeiriens.
65 milhões de anos - extinção dos dinossauros.
200 milhões de anos - aparecimento de mamíferos.
3.5 a 4 bilhões de anos - aparecimento de vida no planeta terra.
4.5 bilhões de anos - a idade do planeta terra.
10 a 15 bilhões de anos - a idade do universo, o big bang!
20 milhões de anos - 1 picosegundo

sexta-feira, julho 11, 2003

Cabeça de radio 

'The mongrel cat came home
Holding half a head
Proceeded to show it off
To all his new found friends
He said
I been where I liked
I slept with who I liked
she ate me up for breakfast
she screwed me in a vice
And now
I don't know why I feel so
tongue tied ...'

Monumental o novo cd dos radiohead, ouçam muitas vezes! A toupeira recomenda.

segunda-feira, julho 07, 2003

Comentários 

A toupeira já tem mail!!
Já nos podem enviar comentários , sugestões ,criticas...aquilo que bem entenderem, para tokadatoupeira@hotmail.com
ou então no link de comentários.
Falem com a toupeira.

Hino da Toupeira 

Em tom de homenagem ao nosso mais recente membro (Já temos os braços e uma das pernas, falta agora a outra para começarmos a andar!) proponho estas estóicas palavras, por ele recomendadas, para hino da toupeira:


CÂNTICO NEGRO

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho os com olhos lassos,
(Há nos meus olhos ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha Mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Porque me repetis: "Vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?
Corre nas vossas veias sangue velho dos avós.
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
- Sei que não vou por aí!


José Régio

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